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Uma Carta da Europa: Caro FIFA, Já Chega

The relationship between FIFA and Europe's major clubs has never been warm, but as the 2026 Copa do Mundo approaches, the temperature has dropped to something appro

Publicado: June 6, 2026

Uma Carta da Europa: Caro FIFA, Já Chega
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# Uma carta da Europa: Querida FIFA, já tivemos o suficiente

Outono de 2024. A Associação Europeia de Clubes se reuniu em Bruxelas. Sua declaração foi diplomática: "preocupações", "sugerir diálogo", "esperar encontrar equilíbrio". Cada jornalista na sala leu o mesmo subtexto: a Europa está se preparando para a guerra com a FIFA.

O gatilho é a Copa do Mundo de 48 times. A pólvora vem se acumulando há anos. Um jogador de alto nível da Premier League, também titular da seleção nacional, joga aproximadamente setenta partidas por temporada: 38 de liga, 13 de Champions League (até a final), 8-10 de copas domésticas, 10-12 internacionais. Em um ano de Copa do Mundo, adicione 4-8 a mais. Com o formato de 2026, um finalista joga oito partidas da Copa — uma a mais que antes. "Mais uma partida. E daí?" A resposta dos clubes europeus: essa partida é a gota d'água. Não a partida em si — o que ela representa. A FIFA expande seu torneio. Ninguém encolhe o calendário de clubes. Os jogadores ficam presos entre dois calendários crescentes. Ambos os lados dizem "é pelo futebol". Nenhum cede.

Um técnico anônimo da Premier League em um jantar privado — cerca de vinte pessoas, uma gravação — disse: "Não estamos lutando contra a FIFA. Estamos lutando contra um inimigo sem rosto. A FIFA não é uma pessoa. A FIFA é uma instituição. Você critica, ela não responde. Você protesta, ela não fica com raiva. Você divulga uma declaração, ela emite um comunicado de imprensa no dia seguinte: 'Observamos as preocupações, permanecemos em diálogo'. E nada muda. Então nossa escolha é — aceitar a Copa do Mundo de 48 times e rezar para que nossos jogadores voltem sem lesões. Ou —". A gravação é interrompida. Essa frase inacabada — "ou então" — se tornou a pergunta que ninguém discutia publicamente e todos discutiam em particular: será que os clubes europeus um dia se recusarão coletivamente a liberar jogadores para a Copa do Mundo? Não agora — legalmente impossível sob as regulamentações da FIFA. Mas daqui a cinco anos? Dez? Se a Copa do Mundo continuar se expandindo?

Um membro da equipe médica do Real Madrid me mostrou um gráfico. Uma curva, subindo ano após ano: dias de jogador perdidos por lesões de fadiga muscular. De 2014 a 2024, essa curva subiu aproximadamente 40%. "A expansão da Copa do Mundo significa uma coisa para nós: nossos jogadores voltam mais tarde. Em piores condições. Com maior risco de lesão. E se a lesão ocorrer durante a Copa do Mundo, a compensação da FIFA cobre cerca de duas semanas de salário. Nós pagamos os dez meses restantes." Ele guardou o gráfico. "Não odeio a Copa do Mundo. A Copa do Mundo é a alma do futebol. Mas a alma do futebol não deveria ser paga com o corpo do futebol."

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