As Estrelas para Observar na Copa de 2026
Copa do Mundo 2026 showcases the planet's most electrifying talent — superstars, emerging prodigies, and tournament specialists whose performances will define this
Publicado: June 8, 2026

Estrelas em Foco: Cinco Nomes, Um Verão e as Imagens que Serão Lembradas para Sempre
Eu estava em um pequeno bar em Madri — não Milão, desta vez era Madri, mas o café era igualmente amargo, e as fotos nas paredes eram igualmente em preto e branco — quando ouvi um senhor dizer isto: "A Copa do Mundo não é sobre o que você jogou. É sobre como você será lembrado."
Essa frase explica por que os trinta e nove dias de junho a julho de 2026 serão, para alguns, apenas mais um torneio, e para outros, o momento que define uma vida inteira.
Mbappé: A Herança e a Transcendência de um Império
A primeira coisa que Kylian Mbappé fez após a final da Copa do Mundo de 2022 — aquele empate em 3 a 3 em que ele quase carregou o time sozinho de volta, apenas para perder nos pênaltis para a Argentina — não foi chorar. Foi ficar parado, mãos na cintura, olhando para o céu. Essa era a face de um homem que sabia que estava a apenas um pênalti da imortalidade.
Em 2026, ele tem vinte e sete anos. Sua primeira temporada completa no Real Madrid acaba de terminar — um título de La Liga, uma Champions League e uma Chuteira de Ouro que ele já parou de contar. Mas tudo isso, à sombra da Copa do Mundo, é apenas um prelúdio. Mbappé se encontra em uma das situações mais raras da história do futebol: ele não precisa "ganhar a Copa do Mundo" para se provar — ele já a venceu em 2018 —, mas precisa provar, na era pós-Didier Deschamps (se este for o último torneio de Deschamps), que a França pode sobreviver na era de Mbappé-antes-do-próximo-Mbappé. É um paradoxo: ele é ao mesmo tempo a pedra angular de uma dinastia e o futuro após o fim dessa dinastia.
Eu assisti a imagens dele treinando. Ele fica na entrada da área, encobre a bola por cima do goleiro e a pega com o peito do pé — só porque está entediado. Esse tipo de tédio pertence apenas ao predador do topo da cadeia: um leão bocejando antes de se alimentar.
Haaland: O Fantasma de Vinte e Oito Anos e o Peso de uma Nação
A última Copa do Mundo da Noruega foi em 1998. Erling Haaland nem havia nascido. Ele é um oásis que cresceu no deserto de sua seleção nacional — no Manchester City, ele tem o melhor sistema de suprimentos do mundo (a matriz de cruzamentos de Guardiola), mas com a Noruega, ele precisa criar suas próprias chances, pressionar sozinho, finalizar sozinho. É um tipo completamente diferente de solidão.
A taxa de gols de Haaland — nas eliminatórias da Copa do Mundo, 26 jogos, 33 gols — parece um erro de digitação. Mas não é. Ele é uma anomalia biológica projetada para encerrar partidas: 194 centímetros de altura, com a aceleração de um velocista e um cérebro que fareja oportunidades na área (seu pai, Alf-Inge, também foi profissional — algumas coisas estão no sangue).
Para a Noruega, não se trata de "até onde eles podem chegar" — trata-se de "por quanto tempo eles podem aproveitar isso". Quando uma nação espera vinte e oito anos, o momento em que o hino nacional toca em sua primeira partida — independentemente do placar — já é uma vitória.
Vinicius Júnior: O Príncipe do Brasil e uma Dinastia que Precisa de Restauração
O Brasil espera vinte e quatro anos por uma Copa do Mundo — uma eternidade para um país com cinco títulos. Vinicius Júnior não é o jogador mais experiente da seleção brasileira de 2026, mas é o atacante que repetidamente entrega atuações decisivas em finais da Champions League pelo Real Madrid — aquela criatura rara que fica mais calmo quanto mais forte brilha o holofote.
Carlo Ancelotti — o técnico italiano do Brasil, uma combinação já imersa em metáfora histórica — construiu todo um sistema ofensivo em torno do corte para dentro de Vinicius. Aquele movimento da ponta esquerda, cortando para chutar com a perna direita — uma das ações mais ensaiadas do futebol — torna-se imprevisível com Vinicius. Ele não percorre uma linha. Ele percorre infinitas versões dessa linha.
O peso sobre os ombros de Vinicius não é apenas uma Copa do Mundo. É o trauma acumulado das cinco eliminações consecutivas do Brasil nas quartas de final ou antes. O fantasma de Pelé — que faleceu em dezembro de 2022 — ainda assombra cada atacante brasileiro.
Yamal e Bellingham: Dois Tipos Diferentes de Eternidade
Lamine Yamal tem apenas dezoito anos em 2026. Ele já é o participante mais jovem da história da Copa do Mundo — um recorde de 2022 — e agora não é mais "aquele garoto". Ele é titular no ataque da Espanha, uma maturidade que não pode ser explicada pela idade. Eu o vi jogar uma vez em Barcelona: ele recebeu um passe, não o parou, tocou de calcanhar para um companheiro atrás dele e correu para a área esperando o retorno. Isso não é o julgamento de um garoto de dezoito anos. Isso é algo mais velho.
Jude Bellingham — vinte e um anos, Inglaterra — é outro tipo de eternidade. Ele não é "jovem promessa". Ele é o núcleo do meio-campo do Real Madrid, o centro tático da Inglaterra, e naquela partida de abertura contra o Irã em 2022 — quando marcou e comemorou com uma pose que mostrava um homem que sabia exatamente onde pertencia — você viu isso. O estilo de Bellingham não é o típico meio-campista inglês — ele não é um monstro físico de box a box. Ele é um camisa dez europeu envolto em um corpo inglês — mais rítmico, mais vertical, mais próximo do molde de Zidane.
O Último Nome: Aquele que Você Ainda Não Ouviu Falar
Mas a magia mais cruel da Copa do Mundo é esta: todos os nomes acima — aqueles que analisamos em cadernos e discutimos em bares até o amanhecer — podem não se tornar as imagens definidoras de 2026. A Copa do Mundo sempre produz alguém que você não pode prever: Zidane em 1998 (ele já era famoso, mas aqueles dois gols de cabeça na final o transformaram de jogador em mito); Ronaldo em 2002 (ressuscitado do desastre da final de 1998); James Rodríguez em 2014 (um jovem colombiano no Brasil, quatro jogos, um domínio de peito e voleio, e então o Real Madrid o comprou).
Em junho de 2026, em algum campo de treinamento em algum lugar, um jogador cujo nome você só viu em manchetes, mas nunca imaginou verdadeiramente como protagonista — está amarrando suas chuteiras. Ele pode ter vinte e dois anos. Pode ter trinta e cinco. Pode vir de um clube que você não consegue localizar no mapa. Mas seu nome, trinta e nove dias depois, se tornará a próxima frase daqueles senhores em bares ao redor do mundo: "Você se lembra daquele verão de 2026?"
Aquele senhor — no bar em Madri — colocou sua xícara de café no pires, olhou para Mbappé na tela da TV, e disse algo que eu não esperava: "Ele não é o protagonista da Copa do Mundo. O primeiro ainda não apareceu."
Então ele sorriu. Na Espanha, esse sorriso significa: Espere. Você vai ver.

