Haiti vs Escócia
Mexico and South Korea have met twice at the Copa do Mundo, and both matches ended 2-1 to Mexico. In Lyon in 1998, Luis Hernandez scored twice in the final 15 minut
Publicado: June 6, 2026

# México vs Coreia do Sul: De 1998 a 2026, uma Rivalidade de Copa do Mundo Chega ao Seu Terceiro Ato
## Um Padrão Histórico que Exige Atenção
México e Coreia do Sul se enfrentaram duas vezes na Copa do Mundo, e ambas as partidas terminaram 2 a 1 para o México. Em Lyon, em 1998, Luis Hernández marcou duas vezes nos últimos 15 minutos para negar à Coreia do Sul sua primeira vitória em Copas do Mundo — uma busca que começara em 1954 e só seria concretizada em 2002, em casa, contra Portugal, em meio a circunstâncias que ainda geram debate. Em Rostov-do-Don, em 2018, Carlos Vela converteu um pênalti e Javier Hernández marcou seu 50º gol internacional antes do magnífico chute colocado de Son Heung-min nos acréscimos, que não passou de uma nota de rodapé em mais uma vitória mexicana por 2 a 1.
Mas entre esses dois marcos da Copa do Mundo existe uma contranarrativa. Na Copa das Confederações de 2001, a Coreia do Sul venceu o México por 2 a 1 na fase de grupos — um resultado que significou pouco na época, mas, visto com uma perspectiva de longo prazo, sugere um padrão: essas duas nações trocam vitórias com precisão metronômica, cada uma vencendo no palco que mais importa para si. A Copa das Confederações para a Coreia. A Copa do Mundo para o México.
O encontro de 2026 — o terceiro deles neste torneio, e em solo mexicano — ou estenderá a hegemonia mexicana na Copa do Mundo ou quebrará o padrão por completo. É uma partida carregada de três décadas de história compartilhada, disputada entre duas nações cujas identidades futebolísticas estão, de maneiras muito diferentes, em crise.
## O Fardo do Anfitrião
A história do México como anfitrião da Copa do Mundo é uma história de expectativa nacional esmagando o desempenho nacional. Em 1970, chegaram às quartas de final — ainda a melhor campanha do país, igualada em 1986, quando sediaram novamente. Ambas as vezes, a conquista foi celebrada como triunfo e lamentada como oportunidade perdida em igual medida. O México nunca jogou uma semifinal de Copa do Mundo. A frase "el quinto partido" — o quinto jogo — tornou-se uma neurose nacional, uma abreviação para o teto de vidro que nenhuma geração de futebolistas mexicanos conseguiu quebrar.
Javier Aguirre, agora em seu terceiro mandato como técnico da seleção, entende essa história intimamente. Quando retornou em 2024, ofereceu uma declaração de filosofia que funcionou também como diagnóstico: "Numa Copa do Mundo, a equipe que joga o futebol mais bonito nem sempre vence. A equipe que sabe competir vence." Este é Aguirre em sua essência — pragmático ao ponto da severidade, um técnico que constrói sistemas em vez de exibir individualidades.
Seu 4-3-3 é ancorado pelo que a imprensa mexicana chama de "Triângulo de Confiança": Edson Alvarez (Fenerbahce), Cesar Montes (Lokomotiv Moscow) e Johan Vasquez (Genoa). Alvarez, o capitão, é um meio-campista vencedor de duelos que pode recuar para a defesa central quando necessário — uma flexibilidade tática que permite a Aguirre alternar entre uma linha de quatro e uma linha de três no meio do jogo sem substituições. Vasquez, desenvolvido na escola implacável de posicionamento defensivo da Serie A, fornece o equilíbrio canhoto que falta ao destro Montes.
O ataque gira em torno de Raul Jimenez (Fulham), cujos nove gols na Premier League e três assistências em 2025-26 representam um triunfo tanto de vontade quanto de habilidade. A fratura no crânio que ele sofreu em 2020 deveria ter encerrado sua carreira; em vez disso, ele chega à sua quarta Copa do Mundo como líder emocional e principal ameaça de gol do México. Atrás dele, o jovem de 17 anos Gilberto Mora (Tijuana) — o jogador mais jovem desta Copa do Mundo — oferece a imprevisibilidade criativa que o futebol mexicano historicamente valorizou e recentemente careceu.
## A Crise de Identidade Tática da Coreia do Sul
O elenco de Hong Myung-bo contém, jogador por jogador, mais qualidade individual do que qualquer outro no Grupo A. Son Heung-min, Kim Min-jae, Lee Kang-in, Hwang Hee-chan — quatro jogadores que se provaram no mais alto nível do futebol de clubes europeu. O talento combinado deles supera o do México, Tchéquia ou África do Sul. Mas o futebol não é um esporte individual, e o dilema fundamental que Hong enfrenta é este: sua equipe não sabe quem é.
O 4-2-3-1 que levou a Coreia do Sul por uma campanha invicta de 16 jogos nas eliminatórias — 40 gols marcados, oito sofridos — era uma quantidade conhecida. Maximizava a capacidade de Son de cortar para dentro vindo da esquerda, dava a Hwang In-beom uma plataforma estável para ditar o ritmo e fornecia a Kim Min-jae uma estrutura defensiva familiar. Então Hong o desmontou.
A mudança para um 3-4-3 é uma tentativa de resolver um problema que assombra o futebol coreano desde 2002: a incapacidade de manter a disciplina estrutural contra adversários de elite. Uma linha de três teoricamente oferece maior segurança defensiva. Mas exige alas que possam simultaneamente fornecer amplitude ofensiva e cobertura defensiva — e aqui reside a falha. Jens Castrop (Borussia Monchengladbach) é um meio-campista central escalado como ala. Seol Young-woo (Red Star Belgrade) é um lateral acostumado a uma linha de quatro. Nenhum dos dois se encaixa naturalmente nos papéis que Hong agora lhes pede para desempenhar.
Contra o México, essas vulnerabilidades estruturais serão testadas de maneiras que a Tchéquia — com seu ataque mais direto e menos matizado — não conseguiu replicar. O sistema de Aguirre cria um 3-2-5 assimétrico na posse de bola, com o lateral-direito Israel Reyes recuando para formar uma linha de três enquanto o lateral-esquerdo Jesus Gallardo avança. Isso sobrecarrega precisamente o canal entre o ala e o zagueiro lateral da Coreia que os amistosos de pré-torneio contra Costa do Marfim e Brasil expuseram de forma tão brutal.
## Os Fantasmas de 98 e 18
A partida de 1998 em Lyon contém um momento que, mesmo 28 anos depois, o futebol coreano não metabolizou completamente. Ha Seok-ju marcou um magnífico tiro livre aos 27 minutos para dar à Coreia do Sul uma vantagem de 1 a 0. Três minutos depois, foi expulso por uma entrada por trás. O México, contra dez homens, marcou três gols sem resposta. A sequência — esperança, autodestruição, derrota — tornou-se um modelo para as decepções coreanas em Copas do Mundo que persistiu até a revolução temporária de Guus Hiddink em 2002 quebrar o ciclo.
Em 2018, o chute colocado de Son Heung-min aos 93 minutos foi o gol mais bonito marcado contra o México naquele torneio. Também foi completamente sem sentido. O México já vencia por 2 a 0 e administrava o jogo. O gol foi um lembrete — como se fosse necessário — de que o futebol coreano produz momentos de brilhantismo individual que suas estruturas coletivas não conseguem sustentar.
O encontro de 2026 coloca essas duas histórias em colisão. O México, em casa, carrega o peso de uma nação que esperou 40 anos — desde 1986 — para sediar a Copa do Mundo e espera, desta vez, finalmente jogar aquele quinto jogo. A Coreia do Sul carrega o peso de um tipo diferente: o conhecimento de que sua maior conquista em Copas do Mundo, a semifinal de 2002, é agora tanto um fardo quanto uma inspiração, um parâmetro que toda geração subsequente falhou em alcançar.
## Previsão
Esta é uma partida que resiste a uma previsão confiante precisamente porque a Coreia do Sul é imprevisível. Se o 3-4-3 de Hong funcionar — se Castrop e Seol encontrarem a disciplina que seus papéis exigem, se Hwang In-beom estiver saudável e controlando o ritmo, se a reinvenção criativa de Son libertar Lee Kang-in e Hwang Hee-chan — a Coreia do Sul é capaz de vencer o México em solo mexicano.
Mas o peso da história pende para o México. O pragmatismo de Aguirre é feito para o futebol de Copa do Mundo de uma forma que a experimentação tardia de Hong não é. O padrão se mantém. O placar é 2 a 1.
Previsão: México 2-1 Coreia do Sul. Jimenez abre o placar de cabeça, Hwang Hee-chan empata no contra-ataque, e Alvarez marca o gol da vitória nos minutos finais de uma bola parada.

