Tunísia vs Japão: Dois Muros Invisíveis
Tunisia versus Japan is the type of match Copa do Mundo group stages produce when two tactically sophisticated mid-tier nations meet with knockout qualification at
Publicado: June 6, 2026

Tunísia vs Japão: Duas Muralhas Invisíveis
A história da Copa do Mundo é escrita na base do troféu, mas também nos limites que nunca foram ultrapassados. Tunísia e Japão — duas equipes separadas por meio planeta e quase toda a hierarquia do futebol — compartilham um destino comum: ambas sabem exatamente como é "a muralha". Para a Tunísia, a muralha se chama fase de grupos. Para o Japão, chama-se oitavas de final.
O Estádio BBVA, em Monterrey, 20 de junho. Esta não é uma partida comum do Grupo F — é um jogo sobre romper barreiras.
Tunísia: Seis Participações, Zero Avanços
Nações não se forjam da noite para o dia, e a frustração futebolística tampouco. A história da Tunísia em Copas pode ser resumida em um único dígito: seis. Seis participações (1978, 1998, 2002, 2006, 2018, 2022). Seis eliminações na fase de grupos. Vinte partidas, três vitórias — uma delas contra a França em 2022, e a França já estava classificada, escalando um time reserva.
Este é um fardo pesado, mas os tunisianos aprenderam a conviver com ele através de um mecanismo: defender. As estatísticas das eliminatórias para 2026 — dez partidas, zero gols sofridos — não são apenas uma conquista. São uma declaração. Sabri Lamouchi assumiu em janeiro de 2026, seu antecessor demitido após uma eliminação na fase de grupos da CAN. Lamouchi herdou não um elenco, mas uma cultura — uma filosofia de futebol que se orgulha de jogos sem sofrer gols e celebra o 1 a 0 como beleza.
Ellyes Skhiri personifica esta equipe. Capitão do Eintracht Frankfurt na Bundesliga, ele é discreto, incansável, sem erros. Ao seu lado, Hannibal Mejbri — o jogador outrora chamado de "novo Pogba" na academia do Manchester United — encontrou estabilidade no Burnley, vestindo a camisa 10 da Tunísia. Esse número já pertenceu a Wahbi Khazri, um homem que podia mudar uma partida com uma falta. A tarefa de Mejbri é diferente: ele deve criar aquela pequena bolha de caos à frente de Skhiri — em um sistema que adora a ordem, ele é o único autorizado a quebrá-la.
Mas o maior ponto de interrogação ainda paira: de onde vêm os gols? A velocidade e o drible de Elias Achouri no Copenhagen são a principal ameaça; as atuações de Khalil Ayari na academia do PSG deram a Lamouchi a coragem de levar um jovem de dezenove anos para uma Copa do Mundo. Mas o total nas eliminatórias — quinze gols em dez partidas — não mente. Esta é uma equipe construída para não sofrer gols, não para marcá-los.
Japão: A Longa Revolução de Moriyasu
A história do Japão na Copa é mais longa, mais complexa e, de certa forma, mais dolorosa. Eles detêm um recorde curioso: o maior número de partidas em Copas (vinte e cinco) sem nunca chegar às quartas de final. 2018 contra a Bélgica — 2 a 0 no placar, sofreram três gols nos últimos catorze minutos, os Samurais Azuis ajoelhados na grama, uma nação inteira fazendo a mesma pergunta: "Por que sempre nós?"
Hajime Moriyasu passou três anos fornecendo uma resposta: o 3-4-2-1. Este sistema não é um rabisco numa lousa tática — é o ponto final lógico de um processo de trinta anos de "tecnicização" do futebol japonês. Desde a fundação da J.League em 1993, o futebol japonês se pergunta: somos a equipe mais técnica da Ásia, então por que sempre ficamos aquém nas Copas? O drible de Kaoru Mitoma no Brighton, a criatividade de Takefusa Kubo na Real Sociedad, o título da Premier League de Wataru Endo no Liverpool — esses nomes não apareceram por acaso. São o fruto de um sistema.
Mas todo sistema tem suas sombras. Uma linha de três zagueiros exige resistência sobre-humana de seus dois alas — Ritsu Doan e Kaoru Mitoma precisam cobrir todo o flanco em ambas as direções. Quando a energia deles cai (tipicamente após o sexagésimo minuto), a estrutura defensiva do Japão desenvolve um vácuo em forma de U — os alas não conseguem voltar, os três zagueiros centrais se esticam, e Endo fica sozinho no meio-campo para apagar incêndios. Aquele contra-ataque clássico da Bélgica em 2018 — do escanteio do Japão para De Bruyne, para Lukaku, para Chadli — começou precisamente neste vácuo.
Duelo Chave: Mejbri vs Endo
Se esta partida tem um duelo individual decisivo, é Hannibal Mejbri contra Wataru Endo no meio-campo. Mejbri é o único tunisiano capaz de encontrar ângulos de passe em espaços apertados; Endo é o escudo mais confiável do Japão à frente da linha defensiva. Se Mejbri conseguir superar Endo — através de uma corrida disfarçada, um rápido um-dois ou um drible ousado — a linha de ataque da Tunísia (Achouri, Tounekti) pode receber a bola diante da defesa japonesa.
Por outro lado, o foco ofensivo do Japão se concentrará no flanco esquerdo. Os cortes para dentro de Mitoma — um dos pesadelos mais familiares da Premier League — testarão diretamente o lateral-direito da Tunísia, Yan Valery. Se Valery precisar que Ayari ou Tounekti recuem para ajudar, a válvula de escape do contra-ataque tunisiano será fechada. Este é o clássico jogo de pressionar versus ser pressionado — não sobre quem é melhor, mas sobre quem comete o primeiro erro.
Previsão
No papel, o Japão tem uma vantagem clara — mais jogadores atuando regularmente nas cinco principais ligas europeias, um sistema tático bem oleado e o poder de fogo ofensivo que atropelou os adversários asiáticos nas eliminatórias. A defesa da Tunísia sem gols sofridos pode sobreviver confortavelmente contra adversários asiáticos, mas contra os passes penetrantes de Kubo e o drible um contra um de Mitoma, a sobrevivência exigirá um nível diferente de concentração.
Mas o futebol não é aritmética. A Tunísia sabe que é azarão — sempre é — e é precisamente quando é mais perigosa. Se a equipe de Lamouchi conseguir abrir o placar cedo através de um contra-ataque ou bola parada, esta tarde em Monterrey pode se tornar outra cicatriz na psique do futebol japonês.
O Japão deve vencer. Mas a distância entre "deve vencer" e "vencer" é precisamente o território mais cativante de uma Copa do Mundo.

