RD Congo vs Uzbequistão: O Peso do Trigésimo Primeiro Lugar
Strip away the history, the projections, the expected-group-finish tables that analytics departments produce before every major tournament, and DR Congo versus
Publicado: June 6, 2026

RD Congo vs Uzbequistão: O Peso do Trigésimo Primeiro Lugar — Prévia Tática do Grupo K
Na Copa do Mundo expandida para quarenta e oito seleções, um certo argumento tem circulado — em bares e nas redes sociais — de que a fase de grupos foi diluída. Muitas equipes, muitos jogos, muita rede de segurança com os terceiros colocados avançando. Esse argumento é verdadeiro em certos níveis. Mas em outro nível — o que realmente importa — ele ignora o peso que uma partida como esta carrega.
RD Congo contra Uzbequistão. Trigésima oitava do mundo contra quadragésima quinta. Um jogo que provavelmente determinará qual dessas duas nações avançará para a Rodada de 32 como um dos melhores terceiros colocados. Para algumas seleções, o terceiro lugar é um consolo. Para estas duas, seria a maior conquista em suas histórias futebolísticas.
Recue a lente histórica. O Uzbequistão conquistou o ouro no futebol nos Jogos Asiáticos de 1994 — uma nação ainda se encontrando após a independência soviética, o futebol como parte dessa busca. Mas a classificação para a Copa do Mundo era o muro que não se quebrava: 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 — sete tentativas, sete fracassos. Cada vez, ficando a um passo. Cada vez, aquele gosto amargo de não ser bom o bastante. Então Fabio Cannavaro chegou — um homem famoso como jogador por permanecer de pé no maior palco — e fez o que ninguém antes dele conseguiu.
A história do Congo é mais complexa. Zaire em 1974 — o ditador Mobutu construiu uma equipe com a riqueza do estado, depois cortou o financiamento quando chegaram à Alemanha Ocidental. Os jogadores ameaçaram entrar em greve. Perderam por 3 a 0 para o Brasil — mas a fotografia de Mwepu Ilunga saindo disparado da barreira é a única coisa que alguém lembra. Cinquenta e dois anos depois, um país diferente — que sobreviveu a guerra civil, Ebola, convulsão política — retornou ao mesmo palco. Não é a mesma equipe. Não é nem mesmo o mesmo tipo de retorno.
Então, quando falamos desta partida — no Mercedes-Benz Stadium em Atlanta, setenta e cinco mil lugares, vinte e sete de junho — não estamos falando apenas de 4-2-3-1 contra 3-4-2-1, ou da velocidade de Yoane Wissa contra o posicionamento defensivo de Abdukodir Khusanov. Estamos falando de duas equipes que, por toda a lógica da geografia do futebol, nunca deveriam ter se encontrado — mas se encontraram. E a partida entre elas determinará quem poderá ficar neste torneio por mais uma semana.
Mas voltemos ao futebol — porque, no fim das contas, a tática é o que decidirá este jogo.
O Congo de Desabre usará o mesmo modelo tático dos dois primeiros jogos do grupo: defesa compacta, perturbação no meio-campo, contra-ataque como válvula de escape para Wissa. Contra Portugal e Colômbia, o objetivo central era a contenção de danos. Nesta partida, o objetivo é vencer — o que significa que o Congo precisará oferecer mais nas fases de posse de bola. Noah Sadiki — vinte e um anos, vindo de uma temporada de afirmação no Championship pelo Sunderland — será peça-chave. Ele não é um criador, mas é um progressor: um meio-campista que pode receber girando, carregar a bola de quinze a vinte jardas para frente e encontrar um corredor de passe. Se conseguir operar nos espaços entre as duas linhas defensivas do Uzbequistão, o Congo terá o ímpeto ofensivo que lhe faltou nos dois primeiros jogos.
O modelo do Uzbequistão é igualmente claro: manter a forma defensiva, deixar Khusanov lidar com as ameaças aéreas e usar Eldor Shomurodov como o ponto focal do contra-ataque. Shomurodov — noventa e uma partidas, quarenta e quatro gols internacionais — é o atacante ideal para este tipo de jogo: um centroavante que não precisa de muitos toques para permanecer perigoso, que pode segurar a bola sob pressão defensiva, que pode finalizar da entrada da área a qualquer momento. Sua experiência — acumulada na Série A da Itália e na Ligue 1 da França — torna-se inestimável quando os companheiros estão processando a pressão de uma partida de classificação para a fase eliminatória da Copa do Mundo.
O duelo individual chave: Abbosbek Fayzullaev contra Aaron Wan-Bissaka. Esta é uma proposta diferente da partida contra Portugal. Fayzullaev não é o driblador explosivo que Leão é — ele depende mais de mudanças de ritmo e controle cerrado em espaços apertados. Wan-Bissaka é de classe mundial na defesa um contra um, mas às vezes pode parecer desconfortável contra pontas que não o desafiam diretamente, mas sim movem a bola ao seu redor através de combinações de passe. Se Fayzullaev conseguir atrair Wan-Bissaka para fora e então liberar o ala esquerdo em sobreposição, o Uzbequistão pode criar situações de dois contra um no lado direito do Congo.
Previsão: Esta é a partida mais difícil de definir. As duas equipes são próximas em qualidade — talvez mais do que qualquer outro confronto do Grupo K. O Congo tem mais velocidade no ataque — Wissa será uma ameaça constante no contra-ataque. O Uzbequistão tem mais estrutura na defesa — a equipe de Cannavaro provou ao longo das eliminatórias que consegue manter a disciplina sob pressão. 1 a 1. Mas seja qual for o placar, o significado desta partida transcende seu resultado. Nenhuma das equipes veio para participar. Elas vieram para mudar a história.

